A saudade bateu no meu peito , como uma farpa de arame desprevenido , desejei centenas de vezes que este dia nunca chegasse , que eu nunca soubesse a falta que me fazes e que irás continuar a fazer , mas desisti no meio da guerra, apercebi-me que o estava a viver não era aquele conto de fadas que tinha idealizado para mim mas que tinha entrado numa batalha em que era forçada a criar um novo "eu", apercebi-me que de todas as personagens que tinha vestido até hoje esta seria talvez a mais dolorosa , a que exigia mais de mim, aquela em que eu olhava e não me via como uma guerreira mas como um farrapo, cheia de "quês" e "porquês" cheia de métodos em que eu não me conseguia relevar não por aquilo que querias que fosse mas pela minha real personalidade. Esta foi uma guerra não me permitiu lutar mais contra essa imensidão de coisas que só valorizamos quando perdemos , foi uma guerra acima de tudo que me fez perceber que quando perdemos algo não devemos deixá-lo partir sem mais nem menos , devemos pelo menos tentar mais uma vez , porque ninguém me garante que essa segunda vez não irá ser para sempre , que o conto de fadas com que eu um dia sonhei não se realize , e que essa saudade não seja motivo para ir de novo enfrentar uma nova guerra , e que desta vez saia vitoriosa e não seja necessário vestir centenas de personagens e me possa dar a conhecer ao mundo tal como sou .
Porque "Só damos valor quando perdemos" vamos aproveitar todos os milésimos de segundo , e fazer de cada momento o mais único e simples que um dia o anoitecer já encontrou , e assim conseguimos que a dita saudade não seja uma coisa que se desperdiça mas uma coisa que se vive e se relembra .

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pode ficar, não vou fazer mal a você.